terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Sonhei...

Eu ontem tive um sonho e nesse sonho eu tentava construir algo novo; era inusitado e diferente de tudo o que eu já havia feito, visto ou vivido... meu trabalho, meu empenho, todo o esforço empreendido valiam à pena, pois eu me dedicava na construção de algo muito desejado e esperado. Por ser minha obra totalmente nova e nunca antes vista, alguns que por mim passavam queriam me dissuadir de tentar, afinal, investir tanto no desconhecido parecia arriscado e chegava a beirar a insanidade... Bem, aquele era o meu sonho e quando sonhamos somos destemidos e ousamos fugir às convenções e, assim, como todos os que sonham, não fiz caso da razão rezada pela maioria, não prezei os que desprezavam meu potencial e segui determinada em ver pronta a minha edificação; determinada ignorei meus limites, ignorei até mesmo as pequenas partes que iam sendo concluídas enquanto trabalhava, afinal, eu buscava a concretização de um todo e se me distraísse com os detalhes, certamente perderia de vista o meu alvo...

Eu ontem tive um sonho e meu sonho era só meu, pois era a ocasião em que eu sabia exatamente o que fazer, e por saber, não parava pra chorar as pequenas perdas que marcam grandes projetos; não diminuía meu passo à espera de alguém que pudesse me motivar a ir até o fim, mas também não voava nos braços apressados e inseguros da ansiedade... Era meu tempo de sonhar e sonhando concluir o que eu começara sonhando! Estava diante da quase totalidade de meu projeto e agora via sentido em toda a energia empreendida, em cada lágrima vertida e toda lição aprendida...

Eu tive um sonho e por ter sonhado lutei e antes que fosse acordada realizei o projeto em que tanto me aplicara... E ao ver pronto o meu trabalho, senti que não era só mais uma empreitada, que não era apenas mais uma obra, mas a prova de que sonhando eu posso sempre ir além e fazer real tudo aquilo em que eu acreditar... Terminado meu projeto, temi apenas não vê-lo ao acordar e antes que o sonho terminasse tratei de dar-lhe um nome que me permitisse recordar e quem sabe voltar a vê-lo em outros sonhos e diante da incredulidade de alguns, do orgulho de outros, enfim, cercada por olhos fascinados por todos os lados, descortinei minha obra prima e simplesmente chamei-a de AMANHÃ!

Sonhe com um novo ano e faça-o verdadeiramente novo!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Pra quem viveu intensamente,
Pra quem aproveitou bem o presente não sofrendo pelo passado, mas fazendo um futuro bem planejado;
Pra que não fugiu da luta, pra quem não desistiu com a primeira derrota,
Pra quem chorou, pra quem riu, pra quem vibrou e pra quem fez vibrar;
Pra quem acreditou e pra quem duvidando pagou pra ver e viu;
Pra quem foi criança, pra quem mostrou maturidade;
Pra quem soube ver luz no fim do túnel, pra quem conseguiu ver flores entre o cinza que muitas vezes cobria a cidade;
Pra quem foi feliz tentando sê-lo, pra quem foi feliz fazendo outros felizes e descobriu que isso é ser feliz duas vezes!
Pra quem ganhou, pra quem perdeu;
Pra quem diante da maior adversidade creu...
Enfim, pra todo o que é humano e como tal errou ou vai errar, mas sabe que sobre todos nós está aquele que é perfeito e perfeito inclusive na forma de amar, pois não ama o que a lógica faz amável, ama e ama mesmo até quem parece insuportável...
Pra todos nós e pra quem nos cerca um feliz natal com mais amor, mais alegria e a certeza de que sempre teremos a chance de ir além!
Beijos a todos!

Elaine Constantino

White Christmas

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Mensagem de natal

Sentido...


Mais um ano, mais um ciclo que se completa, mais conquistas, mais reflexão... mais... mas, o que comemoramos? Para que paramos? Paramos? Em que pensamos, será que ainda pensamos? Será que ainda respiramos? Bom, ainda há consciência? Então vamos!

O natal se aproxima, organizamos listas, fizemos compras, corremos com reformas, convites, festas e confraternizações... tudo dinovo, quase tudo igual a tantos outros anos (aí depende de cada um, pra mim foram bem poucos... rsrsrs)... O que muda são as listas, mais ou menos amigos, mais os que nos foram agregados ao longo do ano, menos os que a falta de tempo, as adversidades, as diferenças tiraram de nós; podem ter mudado as confraternizações, pode ter mudado a nossa vontade de estar em grandes grupos, lugares barulhentos e com música alta e comidinhas e bebidinhas de calorias mais altas ainda... Certas coisas continuam iguais, muito trabalho e correria ao longo do ano, pra termos o direito de parar no final e refletir, nunca sobre nós mesmos; dificilmente acerca de que lições o ano findo vai nos deixar; pouco provavelmente sobre como chegamos onde chegamos e pra onde pretendermos ir... e ouso dizer mais, poucos pensarão no motivo do natal, naquele que nasceu pra morrer e fez com que tudo isso pudesse ser 'efusivamente' comemorado agora... Bom, esse não é um apelo de cunho religioso mas chega bem perto de sê-lo... hoje quero convidar cada um de vocês e estendo esse convite a mim mesma, para que reflitam em um pouco do que foi dito, feito ou recomendado pelo aniversariante de Nazaré. Como aniversariante, ele não nos pediria presentes caros, mas recomendaria que estivéssemos presentes nos arredores pouco requintados dos que não têm esperança a fim de que talvez pudéssemos, ainda que carregados de nossos próprios desesperos, ser esperança pra quem tem menos ou nada a esperar; ele não reivindicaria uma festa cheia de comidas ou pessoas bem vestidas, mas gostaria muito de nos ver levar alegria a pessoas que sofrem dos males da desigualdade e para tanto, recomendaria como traje adequado a mansidão e a paz, quase nada confortáveis, mas muito bem aceitos em qualquer círculo social, ainda que fora de moda... É... talvez eu esteja falando com pessoas que não podem ver o homem que saiu da manjedoura e caminhou em direção à cruz, talvez esteja me dirigindo a alguns dos que não crêem que ele nos vê ou que tenha existido, mas certamente me dirijo a pessoas que não precisam caminhar muito pra ver muitos que não só deixaram de acreditar em qualquer divindade que os possa abrandar o sofrimento que é viver, mas chegam a não acreditar na humanidade que tendo nas mãos o poder de fazer algo novo, pecam no quesito originalidade e apenas insistem em não ver que tudo permanecerá igual...

É... então, é natal, só natal... vamos comprar, festejar, comer, beber e simplesmente nos preparar pra recomeçar ou quem sabe, pra fazer alguma diferença!
FELIZ NATAL... PRA TODOS!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aqui já

Hoje é o melhor dia, agora é a melhor hora e eu sou a pessoa certa... É no presente que posso agir e fazer com que as coisas aconteçam; é hoje o dia em que posso fazer algo novo e bom com as ferramentas que eu trago de ontem... É bem verdade que agora não posso mudar o que passou, não tenho o poder de apagar um passado mal passado (embora eu acredite que muito do que sou eu devo ao que passou) e também não posso viver revivendo o que foi bom, afinal, repetir sempre implica desperdiçar oportunidades de inovar... hoje, tenho o poder de construir meu futuro, tenho nas mãos as chaves da eternidade que começou há tempos, mas pode terminar no instante em que eu desistir de meu direito de tentar. Cada tentativa faz uma história, cada esforço gera uma nova lição e de lição em lição se constrói um saber; saber que não sabe tudo, mas já aprendeu que sempre terá muito a aprender... Bom, é assim que eu penso e esse pensar é que move o meu existir; sei que minha forma de pensar não me garante viver em um mundo encantado, onde todo dia é alegre e ensolarado, onde sempre há flores no jardim e pássaros a cantar na janela, mas minha atitude me possibilita andar nos dias de chuva, me permite sair da cama cedo em dias frios e cinzentos onde posso e devo decidir o que plantar para que chegando o esplendor da primavera, eu tenha um lindo jardim florido, colorido e encantado pelo perfume de todas as flores no ar... O jardim começa em cada semente que eu puder lançar na terra que Deus me deu; as borboletas e pássaros que vêm meu jardim enfeitar são a recompensa por meu esforço, logo, sou feliz em ter que me mover... Portanto, não posso antever a variedade de pássaros e borboletas que terá o meu jardim, mas posso sim torna-lo grande e belo, sempre pronto a receber toda cor e som que a vida quiser me dar e isso é agora mesmo, aqui e já...





sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Universo Incontido: Além...

Universo Incontido: Além...

Além...

“Além do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz. Onde eu possa encontrar a natureza, alegria e felicidade com certeza...” (Erasmo Carlos/Roberto Carlos)

Uma linda canção, mas esse lugar remete ao desconhecido ‘paraíso’, distante, imprevisível e aparentemente fora do alcance dos olhos e das mãos. Há quem viva sob essa perspectiva, acreditando que a felicidade está anos à frente, sempre distante, dependente de muito trabalho e estudo, de incontáveis aquisições, de certa economia, do peso ideal, da idade certa, de um lugar específico ou mesmo do parceiro que seja a ‘cara metade’ – garantia de um relacionamento perfeito...

Tudo bem concordo que todos os dias devem ser idealizados, batalhados, conquistados a fim de que terminem com saldo positivo de crescimento pessoal, moral, intelectual, emocional, profissional, espiritual e mesmo financeiro. Há que se somar, dia após dia, o valor agregado em conquistas, em aprendizado, em idéias, somam-se também as economias e até mesmo as derrotas, já que estas requerem mais reflexão do que as vitórias e portanto, acrescentam mais ao nosso produto final.

Ocorre, que na contabilidade da vida, créditos e débitos se correspondem e completam a cada instante e ao passo em que se somam os acréscimos tem-se que atentar também para o fato de que cada esforço empreendido, cada pesquisa, cada conquista demandou tempo – o custo de tudo o que foi agregado ao que adquirimos e a quem somos. Ora, diante da constatação de que o tempo nos escapa mesmo quando julgamos tê-lo aproveitado ao extremo, precisamos rever se nossa felicidade não está condicionada a metas cuidadosamente traçadas e, diante da confirmação dessa possibilidade, o caminho é aprender a ser feliz agora mesmo, lançando mão de tudo o que a vida já nos proporcionou;

Sim, o segredo é ser feliz todos os dias, ser feliz com as pequenas coisas, ser feliz com a felicidade alheia, ser feliz com quem passa por nossa vida, mesmo que não seja pra ficar... Muitas viagens valem mais pelo caminho trilhado do que pelo destino sonhado, então, falo de enxergarmos nas pequenas coisas, em cada instante, em cada chance a felicidade possível e real AGORA MESMO, exatamente aqui e assim, quando rompermos a tão sonhada fronteira ‘d´além do horizonte’, não correremos o risco de nos decepcionar com a paisagem, ou deixar de aproveitá-la pelo cansaço com a caminhada até lá ou ainda, se não chegarmos ao final da caminhada como sonhado, não termos a sensação de ter lutado em vão...

“...aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” – Apóstolo Paulo (Filipenses 4.11-13).


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O vento...




Onde andas tu oh vento?



Eu hoje me perguntei: não estará o ar parado demais?



Vi-me pensando saudosa no vento que tantas vezes bagunçou meu cabelo, cegou minha visão, tirou-me o fôlego, secou meus lábios... mudou a ordem do meu script de vida, sempre tão certinho, sempre tão ordenado, sempre tão do jeito que eu planejei...



O mesmo vento que fez bagunça, que trouxe surpresa e desordem é o vento que me trouxe de longe a brisa de outras paragens, trouxe cheiro de chuva, trouxe brisa do mar, trouxe perfume de flor, cheiro de mato, comida fresca ou café... Vento daqui, vento de longe ou vento de perto... soprou e fez tudo diferente... parou e novamente vi tudo mudar... trouxe frio, mas me fez pensar se ele na verdade não queria me trazer calor, já que por sua causa procurei aconchego e pude me aquecer...



Penso que o vento não tem lugar pra si e passa a vida em busca de uma paz inquieta... Vento solitário passa por nós e de nós leva um pouco, mas quando vem traz um pouco de si que é na verdade, um pouco de cada pessoa e cada lugar por onde passou... quem és tu vento? Quando hás de encontrar teu lugar? Lembra-te de onde começaste e pra lá tenta voltar, aí encontrarás a força que te fez rodar o mundo pra descobrir que não existe lugar melhor pra ser feliz do que aqui... Onde é aqui? Aqui é exatamente onde se quer estar...



Volta vento, cheio de histórias pra contar, mesmo não tendo uma história sua pra me mostrar... aquieta-te perto daquela colina e quem sabe com a vista lá de cima, vejas que sempre há alguém aqui à espera de você...

quarta-feira, 28 de julho de 2010


Se eu pudesse, acordaria sorrindo todos os dias e sorriria com alegria a todos que cruzassem o meu caminho; não permitiria que crianças sofressem privações ou qualquer trauma; não deixaria que mães dedicadas tivessem que sepultar seus filhos, mudando a ordem natural das coisas; faria com que os apaixonados se envolvessem cada vez mais e fossem cada dia mais felizes e cada dia seria sempre... mas há muitas coisas que não posso mudar, há coisas com as quais nem sei lidar, mas são coisas que muito me incomodam e me fazem pensar sobre a melhor forma de reagir a elas e quem sabe amenizá-las até parecerem muito menores do que realmente são... talvez eu nunca consiga mudar tais fatos, mas isso não me impede de continuar tentando!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pense nisso...


Pense nisso...

“Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a ação; semeia a ação e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o caráter.”
(Tihamer Toth).

Bem, eu sei, faz tempo que não tenho escrito nada e não é por falta de cobrança da Lanna, minha grande amiga...

Hoje estive pensando muito na vida e em como esse mundo está adoecendo. A cada dia ouço mais notícias sobre dor, sobre doença, sobre vida sem qualidade e pessoas que sofrem de causas desconhecidas; por aí se diz que a depressão é o mal do século! Isso me soa quase como uma sentença e fico pensando: “quer dizer então que estou fadada a viver depressiva, isolada, infeliz e só? NÃO! Isso eu não aceito e digo que rejeitem também!

Mas, porquê então, crer que nosso século está contaminado e adoecendo? Algumas doenças são decorrentes da correria da vida moderna, outras são causadas pela forma errada com que nos alimentamos – aumentamos a ingestão de conservantes e toxinas, diminuímos o consumo de nutrientes ausentes nos fast food, mas creio que o verdadeiro grande mal de nosso século é a independência excessiva.

Ao longo da história, pudemos ver o homem lutando por liberdade: seja da escravidão propriamente dita, ou de sistemas legais muitas vezes tiranos, seja de regimes políticos, econômicos ou mesmo dos laços familiares. Com o tempo, essa sede de liberdade e independência foi se convertendo em um isolamento muito mais tirano do que qualquer sistema ou legislação, desaprendemos o que é conviver, esquecemos o que significa sociedade, coletividade e comunidade! Olhe ao redor e note pelos empreendimentos imobiliários: constroem-se apartamentos cada vez menores; e quanto à tecnologia? Há residências onde cada morador tem seu próprio computador o que lhe garante total isolamento da família e do mundo! E os carros versão smart (que geralmente levam apenas duas pessoas), algumas das explicações da indústria automobilística falam em customizar espaço nas grandes metrópoles congestionadas, mas olhe os carros parados no trânsito, você vai ver que cerca de 70% leva apenas uma pessoa e eu penso que isso não decorre apenas de desenvolvimento econômico e melhor distribuição da riqueza.

Grandes autoridades em saúde dizem que muitas doenças são a somatização de velhas emoções destrutivas e sentimentos ruins armazenados ao longo dos anos; especialistas afirmam que doenças do coração, hipertensão e até o ocasionamento de tumores decorrem de mágoas guardadas... bem, meu propósito não é estabelecer um tratado antropológico, mas refletir sobre os caminhos para sobrevivermos! O Apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses, durante o primeiro século da era cristã aconselhou: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Filipenses 4.8). Trocando em miúdos, Paulo, que estava preso ao escrever a carta, exauta a comunhão fraternal entre a comunidade e consegue demonstrar esperança no futuro e gratidão pelo passado, mesmo em meio a circustâncias muito adversas: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4.11-13).

Não estou tratando aqui de confissão positiva, mas de uma atitude corajosa diante das adversidades. Notemos que Paulo precisou “aprender” a viver contente com as circunstâncias e isso não denota conformismo, mas vontade de mudar; é uma insatisfação que rejeita o fracasso e busca uma saída enquanto tira lições das circunstâncias!

Olhe ao seu redor, você não está sozinho no mundo e por mais que as pessoas vivam em isolamento, ainda creio que nossas diferenças não são fruto do acaso, mas servem para olharmos o próximo como alguém que precisa de nós, sem termos vergonha de também precisarmos dele, porque na verdade, esse é o grande bem da vida! “Um ao outro ajudou, e ao seu companheiro disse: Esforça-te.” (Isaías 41.6) Então, que tal ir em busca de alguém que o complete e lhe faça bem? Se nossa sociedade adoeceu, vamos entrar em quarentena deixando de lado tudo o que faz mal! Busque a companhia de pessoas que acreditam na vida, que ainda acreditam no próximo e claro, que acreditem em Deus, contagie-se com essas pessoas e depois, vá contagiar alguém!


sexta-feira, 5 de março de 2010

Andança


Lá se vão apressados dois meses do ano, ainda novo, mas cheio de histórias pra contar. Pensando no tempo que passou, constatei que há muito não escrevo e senti-me movida a justificar minha ausência, por estar andando pela vida, pelos meus caminhos, por entre as pessoas, enfim, nos lugares onde a vida acontece. Entendi que por mais que nos fechemos tentando restringir nossos dias à perfeição de nossos planos, pensamentos e sonhos, a vida vai acontecendo quase sempre à revelia de nossas expectativas porque é lá fora onde estão as pessoas que ela se dá, mesmo para quem teima em viver só. Então, senti que não posso querer ser uma ilha.

Vi um ano começar com intrepidez; vi pessoas tendo seus sonhos sacudidos pela fúria da natureza; vi valentes soterrados, renascerem cheios de vontade de viver, após longo diálogo com a morte; vi gente sem nada, perder tudo e ainda assim ficar com saldo positivo em esperança e isso me fez questionar meus parcos conhecimentos matemáticos e obviamente duvidar da lógica.

Vi águas furiosas arrastarem sonhos, terras afoitas sufocarem futuros, privando de sonhar quem já vivia o pesadelo de ser gente humilde e isso me fez ver que poder olhar não é mera obra do acaso, mas é minha oportunidade de ser luz para quem nada pode ver diante de si.

Vi que o desespero é capaz de suscitar o pouco de humanidade que há em nós, mas que em meio ao caos ainda há quem seja cruelmente oportunista, mas ainda assim, somos todos irmãos.

Tão pouco tempo e tanto por ver, vi pessoas me olharem com indiferença enquanto me estendiam a mão e outras me sorrirem com doçura ao me ferir o coração... é, vi mais do que queria, ouvi o que não devia, mas não desisti de ver e ouvir. Vi pessoas ficarem sem nada e ainda assim mostrarem muito mais vontade de viver, enquanto pessoas com muita escolha se furtavam da beleza que é estar vivo e do poder que têm de fazer outras pessoas felizes. Não vi muito sentido nisso, mas compreendi que não vale à pena existir somente, sem ter um sentido na vida.

‘Cheguei, vi, venci’ e não deixei de aprender que a vida é dura, mas pode ser bela; que somos todos iguais, mas pensamos tão diferente; que as dificuldades são superadas com amor e fé e que Deus é pai de todos nós, logo, há muito a aprendermos sobre nossa condição de irmãos...

Foi muito o que vi, mas não desisti de ver, como disse o sábio Salomão: “Tudo é penoso, difícil de o homem explicar. A vista não se cansa de ver, nem o ouvido se farta de ouvir.” (Eclesiates 1.8). É por isso que não posso parar de andar, não devo desistir de ver e preciso lançar mão do poder de agir e quem sabe, fazer alguma coisa diferente acontecer...