sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O vento...




Onde andas tu oh vento?



Eu hoje me perguntei: não estará o ar parado demais?



Vi-me pensando saudosa no vento que tantas vezes bagunçou meu cabelo, cegou minha visão, tirou-me o fôlego, secou meus lábios... mudou a ordem do meu script de vida, sempre tão certinho, sempre tão ordenado, sempre tão do jeito que eu planejei...



O mesmo vento que fez bagunça, que trouxe surpresa e desordem é o vento que me trouxe de longe a brisa de outras paragens, trouxe cheiro de chuva, trouxe brisa do mar, trouxe perfume de flor, cheiro de mato, comida fresca ou café... Vento daqui, vento de longe ou vento de perto... soprou e fez tudo diferente... parou e novamente vi tudo mudar... trouxe frio, mas me fez pensar se ele na verdade não queria me trazer calor, já que por sua causa procurei aconchego e pude me aquecer...



Penso que o vento não tem lugar pra si e passa a vida em busca de uma paz inquieta... Vento solitário passa por nós e de nós leva um pouco, mas quando vem traz um pouco de si que é na verdade, um pouco de cada pessoa e cada lugar por onde passou... quem és tu vento? Quando hás de encontrar teu lugar? Lembra-te de onde começaste e pra lá tenta voltar, aí encontrarás a força que te fez rodar o mundo pra descobrir que não existe lugar melhor pra ser feliz do que aqui... Onde é aqui? Aqui é exatamente onde se quer estar...



Volta vento, cheio de histórias pra contar, mesmo não tendo uma história sua pra me mostrar... aquieta-te perto daquela colina e quem sabe com a vista lá de cima, vejas que sempre há alguém aqui à espera de você...

quarta-feira, 28 de julho de 2010


Se eu pudesse, acordaria sorrindo todos os dias e sorriria com alegria a todos que cruzassem o meu caminho; não permitiria que crianças sofressem privações ou qualquer trauma; não deixaria que mães dedicadas tivessem que sepultar seus filhos, mudando a ordem natural das coisas; faria com que os apaixonados se envolvessem cada vez mais e fossem cada dia mais felizes e cada dia seria sempre... mas há muitas coisas que não posso mudar, há coisas com as quais nem sei lidar, mas são coisas que muito me incomodam e me fazem pensar sobre a melhor forma de reagir a elas e quem sabe amenizá-las até parecerem muito menores do que realmente são... talvez eu nunca consiga mudar tais fatos, mas isso não me impede de continuar tentando!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Pense nisso...


Pense nisso...

“Semeia um pensamento e colherás um desejo; semeia um desejo e colherás a ação; semeia a ação e colherás um hábito; semeia o hábito e colherás o caráter.”
(Tihamer Toth).

Bem, eu sei, faz tempo que não tenho escrito nada e não é por falta de cobrança da Lanna, minha grande amiga...

Hoje estive pensando muito na vida e em como esse mundo está adoecendo. A cada dia ouço mais notícias sobre dor, sobre doença, sobre vida sem qualidade e pessoas que sofrem de causas desconhecidas; por aí se diz que a depressão é o mal do século! Isso me soa quase como uma sentença e fico pensando: “quer dizer então que estou fadada a viver depressiva, isolada, infeliz e só? NÃO! Isso eu não aceito e digo que rejeitem também!

Mas, porquê então, crer que nosso século está contaminado e adoecendo? Algumas doenças são decorrentes da correria da vida moderna, outras são causadas pela forma errada com que nos alimentamos – aumentamos a ingestão de conservantes e toxinas, diminuímos o consumo de nutrientes ausentes nos fast food, mas creio que o verdadeiro grande mal de nosso século é a independência excessiva.

Ao longo da história, pudemos ver o homem lutando por liberdade: seja da escravidão propriamente dita, ou de sistemas legais muitas vezes tiranos, seja de regimes políticos, econômicos ou mesmo dos laços familiares. Com o tempo, essa sede de liberdade e independência foi se convertendo em um isolamento muito mais tirano do que qualquer sistema ou legislação, desaprendemos o que é conviver, esquecemos o que significa sociedade, coletividade e comunidade! Olhe ao redor e note pelos empreendimentos imobiliários: constroem-se apartamentos cada vez menores; e quanto à tecnologia? Há residências onde cada morador tem seu próprio computador o que lhe garante total isolamento da família e do mundo! E os carros versão smart (que geralmente levam apenas duas pessoas), algumas das explicações da indústria automobilística falam em customizar espaço nas grandes metrópoles congestionadas, mas olhe os carros parados no trânsito, você vai ver que cerca de 70% leva apenas uma pessoa e eu penso que isso não decorre apenas de desenvolvimento econômico e melhor distribuição da riqueza.

Grandes autoridades em saúde dizem que muitas doenças são a somatização de velhas emoções destrutivas e sentimentos ruins armazenados ao longo dos anos; especialistas afirmam que doenças do coração, hipertensão e até o ocasionamento de tumores decorrem de mágoas guardadas... bem, meu propósito não é estabelecer um tratado antropológico, mas refletir sobre os caminhos para sobrevivermos! O Apóstolo Paulo escrevendo aos Filipenses, durante o primeiro século da era cristã aconselhou: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Filipenses 4.8). Trocando em miúdos, Paulo, que estava preso ao escrever a carta, exauta a comunhão fraternal entre a comunidade e consegue demonstrar esperança no futuro e gratidão pelo passado, mesmo em meio a circustâncias muito adversas: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.” (Filipenses 4.11-13).

Não estou tratando aqui de confissão positiva, mas de uma atitude corajosa diante das adversidades. Notemos que Paulo precisou “aprender” a viver contente com as circunstâncias e isso não denota conformismo, mas vontade de mudar; é uma insatisfação que rejeita o fracasso e busca uma saída enquanto tira lições das circunstâncias!

Olhe ao seu redor, você não está sozinho no mundo e por mais que as pessoas vivam em isolamento, ainda creio que nossas diferenças não são fruto do acaso, mas servem para olharmos o próximo como alguém que precisa de nós, sem termos vergonha de também precisarmos dele, porque na verdade, esse é o grande bem da vida! “Um ao outro ajudou, e ao seu companheiro disse: Esforça-te.” (Isaías 41.6) Então, que tal ir em busca de alguém que o complete e lhe faça bem? Se nossa sociedade adoeceu, vamos entrar em quarentena deixando de lado tudo o que faz mal! Busque a companhia de pessoas que acreditam na vida, que ainda acreditam no próximo e claro, que acreditem em Deus, contagie-se com essas pessoas e depois, vá contagiar alguém!


sexta-feira, 5 de março de 2010

Andança


Lá se vão apressados dois meses do ano, ainda novo, mas cheio de histórias pra contar. Pensando no tempo que passou, constatei que há muito não escrevo e senti-me movida a justificar minha ausência, por estar andando pela vida, pelos meus caminhos, por entre as pessoas, enfim, nos lugares onde a vida acontece. Entendi que por mais que nos fechemos tentando restringir nossos dias à perfeição de nossos planos, pensamentos e sonhos, a vida vai acontecendo quase sempre à revelia de nossas expectativas porque é lá fora onde estão as pessoas que ela se dá, mesmo para quem teima em viver só. Então, senti que não posso querer ser uma ilha.

Vi um ano começar com intrepidez; vi pessoas tendo seus sonhos sacudidos pela fúria da natureza; vi valentes soterrados, renascerem cheios de vontade de viver, após longo diálogo com a morte; vi gente sem nada, perder tudo e ainda assim ficar com saldo positivo em esperança e isso me fez questionar meus parcos conhecimentos matemáticos e obviamente duvidar da lógica.

Vi águas furiosas arrastarem sonhos, terras afoitas sufocarem futuros, privando de sonhar quem já vivia o pesadelo de ser gente humilde e isso me fez ver que poder olhar não é mera obra do acaso, mas é minha oportunidade de ser luz para quem nada pode ver diante de si.

Vi que o desespero é capaz de suscitar o pouco de humanidade que há em nós, mas que em meio ao caos ainda há quem seja cruelmente oportunista, mas ainda assim, somos todos irmãos.

Tão pouco tempo e tanto por ver, vi pessoas me olharem com indiferença enquanto me estendiam a mão e outras me sorrirem com doçura ao me ferir o coração... é, vi mais do que queria, ouvi o que não devia, mas não desisti de ver e ouvir. Vi pessoas ficarem sem nada e ainda assim mostrarem muito mais vontade de viver, enquanto pessoas com muita escolha se furtavam da beleza que é estar vivo e do poder que têm de fazer outras pessoas felizes. Não vi muito sentido nisso, mas compreendi que não vale à pena existir somente, sem ter um sentido na vida.

‘Cheguei, vi, venci’ e não deixei de aprender que a vida é dura, mas pode ser bela; que somos todos iguais, mas pensamos tão diferente; que as dificuldades são superadas com amor e fé e que Deus é pai de todos nós, logo, há muito a aprendermos sobre nossa condição de irmãos...

Foi muito o que vi, mas não desisti de ver, como disse o sábio Salomão: “Tudo é penoso, difícil de o homem explicar. A vista não se cansa de ver, nem o ouvido se farta de ouvir.” (Eclesiates 1.8). É por isso que não posso parar de andar, não devo desistir de ver e preciso lançar mão do poder de agir e quem sabe, fazer alguma coisa diferente acontecer...

terça-feira, 29 de dezembro de 2009


Mais um ano terminando...

Como tudo o que tem um limite, vai-se o ano levando consigo o tempo: perdido por uns, aproveitado por outros, intensamente vivido por alguns, mas, passado, pra todos.

Esse tempo que vai, deixa saudade em quem dele fez história; deixa remorso pra quem não o aproveitou; traumatiza aos que nele procederam ou viveram algum mal ou simplesmente não procederam sendo por ele processados... é, já se dizia que tempo é dinheiro e quem tem mais passado do que futuro, sabe a fortuna que vale cada instante; já os que têm toda uma vida pela frente, ainda vão aprender que a sabedoria recomenda não poupar essa riqueza, mas consumi-la sem moderação e com muito empenho, pra que não hajam desperdícios, mas se acumule o maior tesouro que o tempo pode produzir, chamado por alguns de história, mas que eu ouso chamar simplesmente de vida, afinal, que graça teria viver sem deixar mascas ou sinais pelos quais se possa ser lembrado?

Bem, o tempo não para, vai-se um ano e a ele segue-se outro, novinho e sob medida pra revivermos o que valeu à pena, pra esquecermos o que não foi bom, esquecendo só um pouco, pois cada cicatriz traz consigo alguma lição e quem não se recorda das lições passadas, quase sempre é reprovado e forçado à repetição, logo, o passado nunca passa totalmente e o presente, bom... presente tem que ser aberto na hora, senão, perde a validade e fica ultrapassado...

Enfim, o tempo é novo, está às portas e é todo seu, use-o como quiser, mas faça valer à pena, que seja um tempo muito feliz e dure o suficiente pra que sobre um pouquinho pra você dedicar um carinho a quem não dá um tempo sem torcer por você. Feliz ano todo!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Não me ponha na estante!

Sou filha de Deus, mas humana, feita de história e de tudo o que testemunhei. Por vezes sou razão, mas quase sempre paixão, contudo, não fui feita pra ser posta na estante, pois minha capa é incapaz de retratar o que trago em meu interior, no mais profundo de minhas muitas páginas, marcadas pelo tempo, escritas, rabiscadas e até rasuradas de minha existência em meio às intempéries e dias de glória, uns vividos, alguns alcançados à custa de muita luta, outros muitos apenas testemunhados, mas todos exaustivamente comemorados e agregados ao que hoje podes ver...

Sou pessoa comum, mas não igual a ninguém e por isso grata a Deus, por tanta diversidade e por todo o que por mim passou, levando um pouco de mim quando um pouco de si deixou, abrindo um longo caminho pra um dia eu ser alguém; mas não me ponha na estante, pois eu lá não posso falar e talvez não escute o que passa ao redor e assim não há nada que eu possa mudar.

Não me ponha na estante, dê-me a chance de por perto estar e quem sabe eu possa ler-te e com minhas simples palavras dizer-te tudo que não sabes expressar.

Não me deixe empoeirando entre tantos em seu arquivo, mas me deixe estar perto, me ponha na cabeceira, bem ali ao seu alcance e quem sabe eu possa ser sua fuga, saída ou ajuda quando te sentires perdido!